A Poetisa Da Saudade Rafaelzinha

News3

Hoje o nosso A ARTE DO MEU POVO faz uma homenagem a Grande Poetisa da Saudade, Rafaelzinha, que nos deixou uma obra belíssima sobre o tema.


Sua genialidade é reconhecida pelos grandes da Arte.


Pesquisando sobre a Poetisa encontramos estas informações no site http://cantigasecantos.blogspot.com/2013/03/poesia-rafaelzinha-poetisa-da-saudade_3.html :

Maria Rafael dos Anjos Ferreira (Rafelzinha), grande poetisa, nasceu no Sitio Serrote Pintado, município de São José do Egito, também é mãe do Poeta Pajeuzeiro Paulo Robério Rafael Marques. Uma poetisa que inspirava e escrevia a saudade com facilidade e perfeição, tinha a magia da poesia em seus versos e revelava em suas prosas tudo aquilo que sentia em seu peito com a sua simplicidade poética.

No ano de 1973, morava em Sobradinho-BA , e sentindo saudades do seu torrão natal, fez esses versos:

Quem quiser sentir saudade

Faça do jeito que eu fiz

Deixe seu torrão natal

Sem querer como eu não quis

Saia por necessidade

Que depois você me diz


Para fazer como eu fiz

Não precisa ter coragem

Depende da precisão

Fazer de tudo embalagem

Se subir num caminhão

Chorar durante a viagem


Foi de cortar coração

Na hora da despedida

Saí de onde nasci

Pra terra desconhecida

Por contraste a incerteza

De arrumar o pão da vida


Foi na hora da partida

Quem assistiu lamentava

Era bem de tardezinha

Uma chuva se formava

Para o lado do nascente

Ai era que eu chorava.


Quanto mais longe eu ficava

Mais a saudade crescia

Olhava tanto pra trás

Que o pescoço me doía

Pra ver se ainda avistava

A casa que eu residia


Era tão grande o meu pranto

Que Joãozinho se comovia

De vez em quando eu olhava

Me ajeitava, me pedia

Lelê não chore tanto


Nós vamos voltar um dia.

Certa vez estava triste num banco da praça da cidade e uma velhinha ao vê-la assim, perguntou o porquê da tristeza. Ela respondeu em poesia.


Eu hoje estava chorando

Lá num banco da cidade

Perguntou-me uma velhinha

Como quem tem piedade

Porque chora criatura?

Eu respondi de saudade


Eu vou falar pra senhora

Com toda sinceridade

Estas lágrimas que derramo

Aqui em plena cidade

É com pena de um amor

Que eu perdi na mocidade


Desculpa eu lhe perguntar

Ele já é falecido?

Deus me livre, não senhora!

É vivo, jovem e nutrido

E o que eu sofri por ele

Já dava pra ter morrido.


Outros Versos:


Relembro quando criança
Boneca eu não possuía
Eu pegava era um sabugo
Num mulambo eu envolvia
Numa casinha do mato
Passava o resto do dia


Eu só não sinto saudade

Na hora que estou dormindo

Quando vou abrindo os olhos

Saudade já estou sentindo

Não sei que mal fiz pra ela

Prá andar me perseguindo.”




E Vivas para A ARTE DO MEU POVO!

Deixe seu comentário