Hermes Vieira O Poeta Do Piauí

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O “A Arte Do Meu Povo” tem a honra de homenagear o grande poeta piauiense Hermes Vieira. Segundo o site http://cecordel.blogspot.com/2012/01/cem-anos-de-hermes-vieira-na-fazenda.html :



Hermes Vieira é um poeta nordestino, de ação consciente. Precisamente, um folclorista e indianista piauiense, de Valença. Nascido na Fazenda Caiçara em 23 de setembro de 1911. Aos 89 anos, na capital cearense, numa visão sintética e objetiva da realidade circunstante e transcendental, descrevia o mais lírico e narrativo dos poemas, entre o silêncio daquelas horas e o lugar à meditação. A imortalidade abraçava-lhe enriquecendo muito mais a sua gesta nordestina. Deixara dois livros publicados e alguns inéditos. (...) era um sonhador, visionário de um mundo todo vivido de experiências,, que deslumbrava sua avassaladora imaginação como um artesão e alquimista das letras, porque há um tempo ele assumia ares da poesia cabocla pelo dom de fazer de seus poemas a verdadeira expressão da poética folclórica, ora sofismando com espontaneidade a mensagem textual, ora dedilhado sua verve com romancista.”

Ainda sobre o poeta Hermes Vieira o site www.enciclopedianordeste.com.br/biografia-her…diz o seguinte:


“HERMES VIEIRA - POETA POPULAR
Texto de Guaipuan Vieira
(filho do Poeta)

Foi o acompanhando nas pescarias das lagoas adjacentes dos rios Poty e Parnaíba e nas caçadas em noites enluaradas que aprendi a gostar de sua poética e admirá-lo muito mais.
Constituía tudo isso em pano de fundo para que nos jogos sutis do raciocínio aflorasse a espontânea, habilidosa e atraente poesia,na linguagem expressiva do homem do campo .
Na construção dos versos , observa-se a eficácia de estilo próprio, fruto de criação inata, que da escola da vida o tornou autodidata.
Da mágica e do imprevisto, sua poesia brotava, celebrizando o folclore de sua região :


" Vosmincê, doutô, conhece,
Ou já viu falá no nome
Desse bicho qui aparece
Nos camim quando anoitece,
Qui se chama lubisome" ?!
Nesse cantarolar de estrofes e versos , herdeiro de vocações do homem sertanejo , traduz a expressão ingênua e resignada do sofrido homem do campo, que para amenizar as agruras da vida, carrega no bornal da esperança o terço da fé:

" E o mais triste, seu doutô
Pra nóis pobe fregelado
Si acabando aqui e ali,
É si sê fíi dum Brasi,
Dum Brasi civilizado,

Dum Brasi riligioso
Dum Brasi de tanto nome
Dum Brasi tãorico e forte
Dêrna o Su até no Norte
E morrê gente de fome !!!


A poesia de meu pai brotava dessas circunstâncias ,que na visão dos acadêmicos ,como J. Miguel de Matos , é " a maior expressão da poesia folclórica do Piaui". Arimatéia Tito Filho fez uma análise aprofundada do lirismo de Hermes Vieira quando disse " (...) abrangendo aspectos da vida e da natureza , psicologia das gentes,bichos, episódios amorosos e trágicos, alimentos, cerimônias, amores escondidos, mitos, lendas , superstições, doenças, músicas e anedotas" . O professor Josias Clarence Carneiro da Silva também reconheceu a poética : " ...o mundo fantasioso de Hermes Vieira é uma colcha de retalhos da vida campestre ..." . O professor e escritor Cineas Santos, quando na apresentação do livro PIAUI SERTÃO , desse poeta decantado , fez uma síntese da obra em verso :

"Quem conhece o Piauí,
Quem já viveu no sertão
Ao ler os versos de Hermes,
Sente brotar emoção
Calada, adormecida,
Nas brenhas do coração."

Na capital alencarina , o professor de literatura Gletson Martins , conhecedor da bagagem literária de meu pai , afirmou : "... representa os valores da nossa cultura popular. Sua poesia , repleta de figuras e flagrantes do cotidiano nordestino , exalta a beleza dos costumes do homem do campo, sem perder as sutilezas tão difíceis de retratar em uma obra de arte. (...) Grandes os homens que sabem captar o sentimento intuitivo que emana da arte , principalmente se a mesma se encontra em seu estado natural nos costumes de um povo, com suas tradições, crendices".

O poeta e jornalista Zózimo Tavares, em artigo publicado na revista DE REPENTE, de Teresina-PI, faz alusão ao saudoso poeta folclorista e indianista: " a poesia popular nordestina perdeu em 17 de julho passado uma de suas principais expressões, o piauiense Hermes Vieira. Ele morreu em Fortaleza, ao 89 anos, e foi sepultado em Teresina. O poeta está para o Piauí como Patativa do Assaré está para o Ceará. Com uma diferença: não foi cultuado por nós, como Patativa é, como muita justiça, pelos cearenses".

O poeta e professor piauiense, residente em Fortaleza, Gerardo Carvalho Frota(Pardal), Em versos saudou o inesquecivel poeta:

"Fiquei muito impressionado
Quando li Hermes Vieira
É um poeta popular
Que traz em si a verdadeira
E a mais legítima expressão
Cravada neste Sertão
De uma cultura altaneira.

Eu com seu conterrâneo
Me sinto muito orgulhoso
Pena que pessoalmente
Eu não tive o precioso
Prazer de ter conhecido
Hermes Vieira e sentido
Seu poetar valioso

Como aqui no Ceará
Tem a voz do Patativa
No Piauí também tem
Uma voz forte e ativa
Que cantou a vida inteira
O poeta Hermes Vieira
Que se manterá bem viva
(...)”

E Viva “A ARTE DO MEU POVO”!!

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