Ivanildo Vila Nova Um Dos Gênios Do Repente

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Ele é considerado pelos colegas de profissão, pela crítica especializada e pelos fãs, como um dos grandes cantadores/violeiro de todos os tempos.

Ele é Ivanildo Vilanova dono de composições maravilhosas e o homenageado de hoje no “ A Arte Do Meu Povo” do nosso OxeOxente.Com.Br.


Sobre o Grande Ivanildo o site http://fotolog.terra.com.br/editora_coqueiro:211 fala:

... Ivanildo Vila Nova é hoje o maior repentista brasileiro.

Seu trabalho se destaca pela sutileza de seus versos, pela síntese de seus improvisos e pela variedade temática.(...)

No ano 2000, foi eleito o Cantador do Século XX, concorrendo com nomes como Cego Aderaldo, Dimas Batista e Pinto do Monteiro, em rigoroso processo de votação conduzido pelos líderes das Associações de Cantadores do Nordeste, os apologistas (incentivadores) da Cantoria e os próprios cantadores.

Quem quiser escrever a História do Repente, terá que dividi-la em duas etapas distintas: antes e depois de Ivanildo.

Nascido em Caruaru (PE), em 13 de outubro de 1945, Ivanildo Vila Nova cresceu acompanhando seu pai, o famoso cantador José Faustino Vila Nova, pelas noitadas de cantorias.

Se a vida do repentista naquela época era extremamente espinhosa, para um menino, então, o sacrifício era extremo.

Ao abraçar a Arte do Improviso, Ivanildo não queria apenas ser mais um no cenário da poesia.

Era imperioso que o quadro existente fosse modificado para a sobrevivência da Cantoria. 

Antes de Ivanildo Vila Nova, a Cantoria era amadora, onde o compromisso era apenas com o divertimento, o lúdico, a boemia.

Com ele, aconteceu a profissionalização, a elevação do cantador à categoria de artista. 

Os mais céticos apostavam que a cantoria, ao sair do sertão para ganhar espaço nos grandes centros, estaria fadada à extinção.

Porém, com a ascensão de Ivanildo e dos cantadores de sua geração (Geraldo Amâncio, Moacir Laurentino, Sebastião Dias, Severino Ferreira e Sebastião da Silva, entre outros) abriu fronteiras.

O trabalho dessa geração saiu do sertão para a cidade, saiu do Nordeste para outras regiões, chegando até a outros países.

Quando sua luz começou a ofuscar as estrelas da constelação da poesia, batalhas homéricas foram travadas, gerando cantorias antológicas.(…)


Já o site http://dicionariompb.com.br/ivanildo-vilanova/, sobre Ivanildo Vilanova diz o seguinte:

Repentista.Cantador.Violeiro.Compositor.

Orgulha-se de ter herdado o dom do Repente de seu pai, que era repentista conhecido. Nascido em Pernambuco, passou a morar em Campina Grande, PB, considerada a capital dos repentistas e cantadores. Lá, passou a ter participação intensa em eventos de cantoria, muitos deles organizados pelos chamados "apologistas", espécie de animadores e entusiastas da poesia popular.

Profissional da cantoria desde 1963, Ivanildo tornou-se um dos mais renomados repentistas brasileiros. Tem participação em mais de 500 congressos, noitadas e torneios de cantadores. Em 1974, integrou o grupo de artistas e estudantes que promoveu um congresso de violeiros, reunindo os melhores repentistas do Nordeste, revelando cantadores totalmente desconhecidos. Nos anos seguintes, participou da organização do Congresso, que passou não só a revelar novos talentos, como a mostrar a criação de novos gêneros: como, por exemplo, o Brasil Caboclo, consagrando Campina Grande como a capital dos repentistas. Em 1980, lançou, com Severino Feitosa, o LP "Cantadores de hoje", que registrou diversas composições em parceria com Severino Feitosa, como "Flora e Fauna","Nordeste independente" e "A História fará sua homenagem à figura de Antônio Conselheiro". Em 1981, lançou, com Sebastião Dias, o disco ""Mensageiro da cantoria", que trazia parcerias com Sebastião Dias como, "Desafio (Treze Por Doze)", "Quem Era Cristão Chorava Quando Jesus Padecia", "Se Você Tem Bom Guardado Me Responda Cantador" "Cenas da Noite" e "Despedida do Vaqueiro", entre outras. Em 1982, Xangai gravou "Galope Beira Mar (Fragmentos Soletrados)",parceria com Xangai, no LP "Que qui tu tem canário". Em 1984, no LP "Mutirão da vida", lançado pela Kuarup, Xangai gravou "Natureza", parceria de ambos. No mesmo ano, Elba Ramalho, no LP "Do jeito que a gente gosta", lançado pela Barclay/Ariola, gravou "Nordeste independente", parceria com Braulio Tavares. Em 1990, "Nordeste independente" integrou o repertório do LP "Elba ao vivo", lançado pela Polygram e gravado ao vivo no Palace - São Paulo, nos dias 24 a 26 de novembro de 1989. Essa faixa é encontrada apenas na versão CD. No início dos anos 2000, negou-se a aceitar o patrocínio da Souza Cruz para organizar e promover um Congresso de Violeiros e repentistas, que teria que se chamar Congresso Arizona de Violeiros. É produtor do Congresso de Cantadores do Recife, Festival Nacional de Repentistas de Caruaru e outros importantes encontros de violeiros, cantadores e repentistas. Com mais de 30 participações em discos, entre vinil, CDs e discos de festivais, destaca-se, segundo os especialistas, pela sutileza de seus versos, pela síntese de seus improvisos e pela variedade temática de seu trabalho. Em 2002, participou do CD multimídia lançado por Gereba, em comemoração aos 100 anos do livro "Os Sertões", de Euclides da Cunha, fazendo dupla com Gereba na faixa "A história fará sua homenagem", composição sua com Gereba, em memória à figura de Antônio Conselheiro. Em 2006, fez participação especial no CD Cabeça elétrica, coração acústico"do pernambucano Silvério Pessoa.

Dentre suas brilhantes obras destacamos aqui, essa por além de ser uma poesia popular de mão cheia é uma verdade verdadeira. Rsrsrs


Radical se transforma em moderado
Ivanildo Vilanova


Radical se transforma em moderado
Se quiser jogar bem no outro time
Ou acopla-se aos moldes do regime
Ou por outra depois tu é cassado
Quando não ele fica deslumbrado
Com mulheres, passeios e prazer
Mordomia, jetom, luxo e lazer
Tudo isso é efêmero, mas ilude

Não conheço esquerdista que não mude
Quando pega nas rédeas do poder

O ministro, o prefeito, o deputado
Com direito a chofer e secretária
Segurança, assessor, estagiária
Gabinete com ar condicionado
Vai lembrar-se do proletariado
Com favela e cortiço pra viver
Ou será que não vai se aborrecer
Com esgoto, favela, mofo e grude

Não conheço esquerdista que não mude
Quando pega nas rédeas do poder

E o mártir que tem convicção
De arriscar sua vida, seu emprego
A família, o futuro, o sossego
Por um povo, um projeto, uma nação
Um Sandino tentou mas foi em vão
Um Guevara esforçou-se por fazer
Hoje em dia é difícil aparecer
Marighela, Lamarca ou Robin Hood

Não conheço esquerdista que não mude
Quando pega nas rédeas do poder

Que fará um sujeito agitador
Bóia-fria, sem-terra, piqueteiro
Camarada, comuna, companheiro
Se um dia tornar-se senador
Vindo até se eleger governador
Qual será o seu novo proceder
Vai mudar, mentir ou vai manter
As promessas que fez de forma rude

Não conheço esquerdista que não mude
Quando pega nas rédeas do poder

Quem tem honra, da mesma não se aparta
É querer liberdade pra o Nordeste
É Xanana Gusmão do Timor Leste
Enfrentando os exércitos de Jacarta
Boutros Ghali primando pela carta
Que o Pentágono queria prescrever
É qualquer palestino a combater
Um Netanyahu ou Ehud

Não conheço esquerdista que não mude
Quando pega nas rédeas do poder

No período que o adolescente
Quer mudar o planeta e o País
Através dos arroubos juvenis
Vira líder, orador e dirigente
Mas se um dia ele vira presidente
O que foi nunca mais poderá ser
Aí diz que o remédio é esquecer
As loucuras que fez na juventude

Não conheço esquerdista que não mude
Quando pega nas rédeas do poder

Todo jovem a princípio é sectário
É o atuante grevista, condutor
Exaltado, anti-yankee, pregador
Um perfeito revolucionário
Cresce, casa-se e torna secretário
E aí o que trata de fazer
Leva logo a família a conhecer
Disneylândia, Washington e Hollywood

Não conheço esquerdista que não mude
Quando pega nas rédeas do poder

Quem vivia de luta e de vigília
Invasão, pichamento e barricada
Através disso aí fez uma escada
Pra chegar aos tapetes de Brasília
Vai pensar no progresso da família
E o que faz pra do posto não descer
Nunca falta quem queira se vender
Sempre acha um covarde que lhe ajude

Não conheço esquerdista que não mude
Quando pega nas rédeas do poder

Dirigido não é o dirigente
E dominante não é o dominado
Se quem vive debaixo é revoltado
Quando sobe ele fica diferente
Compreendo a fraqueza dessa gente
Submissa ao desejo de vencer
Quem sou eu pra ser dono da virtude

Não conheço esquerdista que não mude
Quando pega nas rédeas do poder

Eu já vi muita gente amarelar
Por pressão covardia ou por dinheiro
Jornalista, cantor e violeiro
Metalúrgico, político e militar
Só Luís Carlos Prestes foi sem par
Defendeu sua tese até morrer
E Gregório Bezerra sem temer
Levou seus ideais ao ataúde

Não conheço esquerdista que não mude 
Quando pega nas rédeas do poder...




E Viva " A ARTE DO MEU POVO"!!

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